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Blog do Bartô

Togas em pé de guerra

01/06/2010

A ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça, em entrevista à revista “Muito”, reproduzida pelo Consultor Jurídico, expõe as vísceras de um embate que pode se tornar problemático para o Judiciário. Magistrada de carreira, ela não concorda com o que chama de “escolha torta” do Judiciário, ou seja, o ingresso na carreira de pessoas oriundas da advocacia por intermédio do quinto constitucional.

Por que advogado é diferente? Ela responde: “Porque eles são mais ricos, eles precisam ter uma vida social. O magistrado atravessa a vida dentro do gabinete, trabalhando, estudando, pesquisando. Não faz questão de ter amizade com políticos, ao contrário. Toda formação dos magistrados no Brasil é pra você se afastar das influências políticas. O advogado é exatamente o contrário. É um homem bem posto, que tende a andar bem vestido, que tem de ser simpático, fazer relações de amizade. Então, na hora que eles chegam a esse cenário político, dão um banho em cima dos magistrados.”

Com toda vênia, é uma visão turva da realidade. Mais ainda: da eterna sacralização da figura do magistrado, transformando-o num semi-deus (alguns acham-se mesmo deuses), intocável e distante do mundo à sua volta. A idéia de um tribunal essencialmente técnico, e de julgadores essencialmente técnicos, abraçada pela ministra, vai contra o pensamento filosófico mundial contemporâneo. É uma pena. Suas declarações refletem e expõem (como já disse acima) uma situação em que os magistrados de carreira estão se sentindo em alta. Primeiro, com a posse de Cesar Peluso na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo, com a proximidade (será em setembro) da ascensão de Ari Pargendler à presidência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) a partir de setembro.

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Jeitinho brasileiro, encenação política

01/06/2010

O cineasta Oliver Stone ficou retido por algumas horas (retido, que fique claro, não detido) no aeroporto de Cumbica, São Paulo.  Não tinha visto de entrada, a papelada não estava em ordem, portanto não podia desembarcar. Conversa pra cá, conversa pra lá, deu-se um jeito. Afinal, Stone é Stone, e veio pra divulgar seu novo filme “Ao Sul da Fronteira”, em que ele retrata presidentes sul-americanos, e Hugo Chávez, da Venezuela, é a “estrela”’.

Avisado da situação, o produtor Luiz Carlos Barreto, que tem os direitos do filme no Brasil, ligou para o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, que acionou o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, que teria contatado a Polícia Federal. De posse de uma lista de nomes fornecida pelo produtor, a Polícia Federal teria contornado a situação para Stone e a equipe – todos sem visto.

Tudo bem. O Brasil, nesse caso, dá um exemplo de país tolerante. E, aliás, sou um admirador do cineasta. Mas peraí! E se fosse o contrário? Brasileiros são humilhados aeroportos afora. Tente entrar nos EUA sem visto. Você corre o risco de ir parar em Guatánamo, com ou sem Obama.

ATUALIZAÇÃO

Após a postagem deste comentário, as agências de notícias destacaram o encontro que o cineasta Oliver Stone teve com a candidata do PT às eleições, Dilma Rousseff. Dilma disse que era fã de Stone; e Stone disse que Dilma é carismática.

Durma-se com um barulho desses.

Está explicado.

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O tabu da pedofilia

07/05/2010

Nossa pobre imprensa perde-se neste tema. Limita-se aos fatos escandalosos envolvendo padres pedófilos…

Dom Dadeus Grings, arcebispo de Porto Alegre (RS), botou fogo no assunto esta semana ao declarar: “A sociedade atual é pedófila, esse é o problema. Então, facilmente as pessoas caem nisso”.

Sobre Igreja, já expressei meu ponto de vista neste blog, trazendo de volta outro tema polêmico: o celibato. Pra mim, não vejo como solteirões de meia-idade ou já velhos possam discutir com profundidade sexualidade. Já sobre a questão da pedofilia em nossa sociedade, só tenha a lamentar o cinismo dos meios de comunicação no trato da matéria.

Cinismo porque foi a própria mídia quem ressexualizou a imagem da criança, e isto pode ser visto nos desfiles de modas, nas capas de revistas etc. A sexualidade infantil tornou-se o último tabu da nossa sociedade.

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foto  Bartô
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