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Blog do Bartô

Posts com a Tag ‘amianto’


A verdade é uma só

11/04/2010

por Rubens Rela, diretor-geral da SAMA Minerações

 

A desinformação, assim como uma mentira repetida várias vezes, é extremamente danosa à sociedade. Mas infelizmente existem pessoas, empresas e até instituições públicas, que em nome de um falso princípio de precaução preferem aceitar meias verdades. E o pior: à medida que as falsas argumentações caem por terra, elas são substituídas, sem nenhum escrúpulo.

E a desinformação sobre o Crisotila, a variedade de amianto que o Brasil extrai e industrializa, é um exemplo desse fato. É preciso que a sociedade brasileira entenda, de uma vez por todas, que doenças relacionadas ao amianto Crisotila no Brasil só foram registradas em trabalhadores que atuaram em uma realidade laboral que há décadas não existe mais. E como comprovar isso? A cadeia produtiva está de portas abertas para a sociedade. Conhecer a realidade dos trabalhadores na atualidade na mineração e nas fábricas é talvez o caminho da desconstrução de tantas mentiras repetidas.

É inaceitável que informações infundadas encontrem guarida em alguns meios de comunicação. Como, por exemplo, que “o período de latência para que as doenças relacionadas ao amianto apareçam é o maior entrave para o diagnóstico, sendo os primeiros sintomas notados até 50 anos após a exposição”. A verdade é que a latência (tempo entre o estímulo e a reação do indivíduo quando o efeito não se acha manifesto) de doenças relacionadas ao amianto é de 15 anos. E essa informação é comprovada pela época em que se observaram os primeiros doentes na Europa – entre 1955 e 1960 (exatamente 15 anos após exposição de pessoas a mais de 1.000 fibras/cm3 de ar originada da aplicação por spray de amianto anfibólio nas paredes e estruturas de construções civis).

Obviamente, como não surgem mais doentes no Brasil, a informação sobre a latência foi sendo manipulada de acordo com os interesses de quem defende o banimento do amianto. Aumentou de 15 para 20 e depois para 30 e hoje falam em 50 anos. 

A mentira de que o amianto é responsável pela morte de 100 mil pessoas no mundo é apologia ao terror e isso é crime! Onde estão essas vítimas? Onde estão seus atestados de óbito? Desafio as pessoas que alardeiam essas estatísticas pela imprensa a comprovarem tais dados. Além disso, o amianto não é e nunca foi no Brasil uma questão de saúde pública. Se assim fosse, mais da metade dos brasileiros que moram, alguns há mais de 40 anos, sob coberturas com telhas de fibrocimento com amianto, já tinham adoecido ou morrido. Quem seria capaz de esconder tamanha epidemia? Nem mesmo o lobby que dizem ter sido criado para defender o mineral seria capaz de tal proeza.

Mas a quem interessa criar pânico na população? A resposta é simples. Somente a quem não tem qualidade para se estabelecer no mercado, mas insiste em brigar por um negócio que, em um país em desenvolvimento como o Brasil, significa a cobertura de no mínimo 7 milhões de moradias (o déficit habitacional brasileiro). E mais: a sociedade brasileira precisa ficar atenta aos malabarismos judiciais para que não confunda interesse privado com interesse público

Outra verdade: sem o amianto Crisotila, o PAC do Governo Federal está seriamente comprometido, por que não existem produtos nem com o preço e qualidade a altura do cimento amianto e nem em quantidade suficiente. Então vemos, mais uma vez, a corda arrebentar no lado dos mais fracos. Aliás, essa história é antiga porque quem quer banir o amianto Crisotila não tem nenhuma solução para o dia seguinte. Desemprego, sim, gera mais doença e sobrecarga para o SUS, já tão mergulhado em problemas. Está na hora de sepultar as mentiras.

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Energia limpa, produção segura. E o amianto brasileiro?

14/03/2010

“A volta da energia nuclear” é o título de interessante artigo publicado neste domingo (14) no Estado de S. Paulo, assinado por Patrick Moore, presidente da Greenspirit Strategies Led. Detalhe: ele foi um dos fundadores, nos anos de 1970, do Greenpeace. E admite que, na época, estava convencido dos riscos da energia nuclear, mas que mudou de opinião.

Por que mudou? A reviravolta, sem dúvida, está associada à questão de segurança. Acidentes com usinas nucleares mesmo nos anos 70 e 80, associados a um clima ainda de guerra fria e o temor de uma guerra nuclear entre as duas maiores potências do planeta, jogaram a energia nuclear na lata de lixo. Um detalhe: a possibilidade de uma guerra nuclear não acabou. Se olharmos bem, até se agravou. Artefatos nucleares são contrabandeados por aí, perigosamente, e integram a nova retórica para justificar agressões ao mundo islâmico.

Voltando ao que interessa: Moore começa classificando como “boa notícia” o fato de o presidente dos EUA, Barack Obama, financiar a construção de duas usinas nucleares na Geórgia porque vai produzir um tipo de eletricidade que, manejada com segurança, não agride ao meio ambiente. Ele faz uma comparação interessante: para produzir a mesma energia livre de carbono que os reatores nucleares irão fornecer, o Estado da Califórnia teria de tirar de circulação quase toda a sua frota de automóveis.

Agora, de novo, pergunto: o que mudou? Mudou justamente o item segurança. Não há mais notícia, desde os anos 80, de que alguém foi vítima por causa de algum problema em uma das usinas em território americano, nem há ocorrência de morte por radiação de algum trabalhador dessas usinas. “Graças às rigorosas normas de segurança de proteção dessa infraestrutura crítica, as usinas nucleares são bem protegidas contra ameaças potenciais à sua segurança”, as palavras são de Patrick Moore.

Cabe, aqui, uma linha para reflexão.

Tenho sido consultado a respeito do amianto crisotila, extraído no Estado de Goiás e usado em centenas de produtos, com destaques para as caixas d’água e telhas. Junto com cimento, a fibra do amianto resulta no fibrocimento, de alta resistência. O que chama a atenção, sempre que o tema é abordado, é o pavor ao produto e a idéia generalizada, sobretudo entre ambientalistas, de que ele provoca câncer ao menor contato.

O assunto despertou minha curiosidade ao verificar que se tratava, primeiro, de uma tremenda disputa comercial pondo, de um lado, interesses empresariais brasileiros, e, de outro, gigantes multinacionais, europeus principalmente (leia-se Saint Gobain, dona da Brasilit). O mercado de telhas no Brasil não é desprezível, na casa dos R$ 2,6 bilhões por ano. Em segundo lugar, a meu ver, está o mais importante: a desinformação.

Do mesmo modo que as usinas nucleares, o setor de mineração do amianto, depois de um período de alvoroço e perigo, foi obrigado a passar por uma profunda reciclagem para sobreviver. Desde então, não parou. No Brasil, em particular, onde só se produz o amianto do tipo crisotila, além de uma legislação extremamente rigorosa, a mineração, produção e comercialização adotaram práticas de segurança e controle exemplares. Além disso, um acordo firmado entre trabalhadores e empresas dá aos primeiros poderes de paralisar as atividades ao menor risco de exposição à poeira do mineral. O espaço aqui é pequeno para descer aos detalhes dese acordo, que uma vez assinado (e o foi, há 20 anos) tem força de lei. É único no país, bem próximo à utopia marxista de submeter aos trabalhadores o controle da produção. Só que não foi preciso uma revolução, nem atacar o capital, para se conseguir isso. 

No entanto, nossa mídia continua a tratar o assunto de forma truncada e, pior, preconceituosa. Enquanto isso, abrem-se espaços às estratégias de pânico, escandalosamente fomentadas por empresas que desejam vender fibras artificiais de derivados de petróleo, caras e poluentes, sobre as quais pouco ou nada sabemos e que teremos de descartar como sacolas plásticas. É algo particularmente observável no estado de São Paulo, onde o assunto mereceria uma atenção menos apaixonada e mais racional. Em nome de uma tecnologia limpa, econômica e cem por cento brasileira.

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Elemento estranho na guerra das telhas

05/03/2010

Impossível não estranhar recente matéria de destaque do jornal Valor Econômico sobre a polêmica em torno da proibição em São Paulo do uso do amianto em produtos de fibrocimento, principalmente telhas.

É assunto para muitos comentários. O que chama a atenção é uma declaração atribuída à auditora fiscal do Ministério do Trabalho, Fernanda Giannasi, para justificar a proibição. Assim está escrito: “Não faz sentido manter os 500 empregos de duas empresas sob o risco de sacrificar 17 mil empregos de empresas que investiram altas somas para trocar de tecnologia”. Ela se refere a duas empresas que, sob liminar a Justiça, ainda usam amianto no estado, a Infibra e Confibra, e que, supostamente, teriam esses 500 empregos.

O que é isso, companheira? O estranho é justamente o fato de uma servidora do Estado defender “as empresas que investiram altas somas para trocar de tecnologia”. Quando se sabe da acirrada guerra comercial que envolve o mercado de telhas, isso soa perigosamente. Que empresas, que investimentos? A quem interessa?

Mais embaixo, a matéria informa (sic): “Fernanda Giannasi, auditora fiscal do Ministério do Trabalho, que há mais de 20 anos atua na causa dos trabalhadores expostos ao amianto”. Pesquisei em sites de trabalhadores do amianto e não encontrei nenhuma referência a seu nome nos quadros sindicais.

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