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Blog do Bartô

Posts com a Tag ‘brasilia’


Brasília, a reconstrução – em livro

19/03/2010

Será no próximo dia 25 (quinta-feira) o lançamento do livro Brasília 2030, a Reconstrução, do advogado e amigo Paulo Castelo Branco. A partir das 19 horas, na sede do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal (SEP Sul, W/4 703/903), onde Paulo fará uma palestra sobre a obra.

Tenho críticas e mais críticas ao projeto chamado Brasília, sobretudo quando desabrocham escândalos como o que presenciamos, mas nesse caso me rendo ao carisma e inteligência do amigo.

Abaixo, transcrevo artigo assinado por um dos pioneiros de Brasília.

Brasília 203 – A Reconstrução

por Affonso Heliodoro dos Santos, Presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal e membro da Academia Brasiliense de Letras.

Esta é a história de um sonho que se transforma em pesadelo pela ambição e falta de espírito público de autoridades que, sob o pretexto de atender aos cidadãos mais carentes, transformam a idéia de um grande estadista em uma louca cidade.

Escrito com o bom humor e ironia, o autor alerta à população de Brasília sobre os riscos que corre ao deixar de lado o conceito de uma cidade de serviços e que deveria, por ser Patrimônio da Humanidade, ser voltada para o atendimento da administração do País e vocacionada para o turismo internacional, de onde viriam os recursos para sua manutenção.

Uma história de nosso tempo para o tempo de nossos filhos. Critica fortemente a instabilidade dos homens e seus arroubos de intolerância com os seus concidadãos que procuram defender, através de argumentos, a cidade em que vivem, e que deve ser preservada para o futuro, como se fosse não somente uma idéia, mas como o símbolo de uma grande Nação.

A análise da modificação do Plano original de Lúcio Costa e das críticas infundadas sobre as obras de Oscar Niemeyer leva o leitor a um passeio futurista por Brasília, vivenciando a degradação e agressão à cidade até o encontro final de seus cidadãos com a concepção original. É um bem humorado alerta aos brasilienses e a seus governantes.

“Paulo Castelo Branco, além de advogado e escritor, foi figura exemplar e de destaque, ao lado de José Aparecido de Oliveira, então governador, na luta que travou para inserir Brasília no livro das cidades inscritas como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Vive ainda na trincheira, onde se coloca como combatente incansável na defesa diuturna e permanente da cidade idealizada por Juscelino Kubitscheck e criada por Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Israel Pinheiro, Bernardo Sayão e tantos outros que, com esforço, trabalho e patriotismo transformaram o Brasil numa grande nação.

No Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal como acadêmico, e membro do Conselho de Preservação de Brasília – CONBRAS – é intransigente com os governantes que insistem em transformar a área  tombada em quintal das suas vontades, numa demonstração de desamor à cidade moderna e única reconhecida como Patrimônio Cultural da Humanidade. Nos 50 anos da construção de Brasília, a reedição do “Brasília 2030 – A Reconstrução”, lançado em 1994, é o resgate de um alerta aos governantes do Distrito Federal, que, nesses anos, continuam agredindo, impunemente, as normas que regem a preservação prevista pela UNESCO.”

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Brasília após outubro

01/03/2010

Instituições como CNBB, Comissão de Justiça e Paz, Ordem dos Advogados (a nacional, não a local), dentre outras, identificadas com a luta pela representação política no Distrito Federal, estão começando a se reunir em torno de uma preocupação: o que virá para a capital do País com a eleição de outubro?

Joaquim Roriz, o ex-governador a quem se atribuiu toda a responsabilidade pela explosão demográfica da cidade, já está se apresentando no horário eleitoral da televisão e do rádio. Em outro campo aparecem as candidaturas do senador Gim Argelo, um ex-corretor de imóveis que chegou ao Senado na condição de suplente de um Roriz cassado, e, agora, do deputado Alberto Fraga, da tropa de choque de Arruda.

Falante, muito falante, Fraga é coronel da reserva da Polícia Militar. E fala como tal, no estilo vamos-ver-o-que-acontece. Foi personagem de destaque na campanha do “não” no plebiscito do desarmamento. Ou seja, é pra andar armado, mesmo, se preciso for. Mas o homem é estilo, e o estilo é linha dura.

No campo das esquerdas, surge ainda debilmente o nome de Agnelo Queiroz, figura proeminente do PC do B do Distrito Federal. Não anima muito.

Mas o problema não é esquerda nem direita. Brasília é quintal do governo federal, e antes que vire vice-versa está na hora de uma discussão mais profunda acerca de sua representatividade política.

De mais original, vi hoje uma faixa no canteiro de obras da nova sede da Assembléia Legislativa do DF, aqui chamada de Assembléia Distrital, onde está escrito: “Última implosão. Intervenção já.”

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Brasília entre a cruz e a espada

24/02/2010

É agora ou nunca. Na Folha, artigo de Eliane Cantanhêde compara a situação de Brasília a um daqueles filmes nos quais o piloto do avião some e de repente surge, no meio da tripulação, um salvador da pátria para evitar a catástrofe. Depois da renúncia de Paulo Octávio ao governo do DF, estamos na situação crítica: a tripulação inteira sumiu.

Diante desse raciocínio, nada resta a não ser a intervenção federal. Já comentei neste blog as conseqüências dessa medida, que explicam as reticências do STF e do próprio governo federal. O fato é que a linha sucessória existe, e por mais suspeita que possa ser, está aí, é legítima, eleita pelo voto popular. Se o deputado Wilson Lima não se sustentar no cargo, o próximo na fila é o deputado Cabo Patrício…e por aí vai.

Intervenção nesse quadro, além de remédio amargo, à luz da Constituição representa um arbítrio. Se quisermos ser mais explícitos, um golpe. Se um golpe necessário para devolver normalidade administrativa, ou que se dê até mesmo para moralizar a política em Brasília, é outra história. Mas nem por isso deixa de ser um golpe. Matar, numa guerra, não é considerado assassinato, mas nem por isso as guerras deixam de revelar o espírito assassino que se esconde sob a capa humana.

Muito razoável, a meu ver, o apelo do presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, em favor de um pacto de governabilidade no Distrito Federal. A própria Câmara Legislativa pode fazê-lo, se tiver grandeza para tanto. E passar o governo a alguém com estatura moral capaz de conduzir a administração da Capital Federal até as eleições de outubro.

E pensar que Brasília completa 50 anos em abril…

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foto  Bartô
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