O sentimento na política em Brasília é que não foi fato isolado a decisão de um juiz do Tribunal Regional Eleitoral paulista tentar cassar o mandato do prefeito Gilberto Kassab. Mesmo a suspensão dessa decisão não retira as suspeitas. Ninguém engoliu.
Algo há, é o que mais se ouve.
Na prisão do governador de Arruda, mesmo os que não questionam a gravidade dos fatos apresentados, lançaram suas suspeitas. As gravações, que chocaram a opinião pública, são de 2006. Brasília se caracteriza como uma cidade plana de muros baixos, ou seja, nada se passa por aqui sem que alguém não saiba. O escândalo circulava na boca de muita gente.
Até que estourou, em plena definição da coligação PT/PMDB para sucessão presidencial. E o DEM, na foto, ferido de morte.
O caso revela algumas curiosidades, que não podem ser vistas apenas como curiosidades. Desde que Gutemberg inventou os tipos móveis, a imprensa adora adotar rótulos para se tornar leitura atrativa. O escândalo passou a se chamar “Mensalão do DEM”. Teve, anos atrás, o mensalão do PT, mas sua designação preferida foi “Valerioduto”.
O atual, não. É “Mensalão do DEM”, não importa que Arruda seja identificado como “sem partido” (pois se desligou da legenda) ou o mesmo aconteça com o seu vice Paulo Octávio, que enquanto escrevo ou se desliga ou vai ser desligado. Só para comparar: no mensalão do PT, nenhuma daquelas figuras se desligou do partido. Algumas, inclusive, estão aí de volta, no palanque da Dona Dilma.
Na semana anterior ao Carnaval, a pesquisa CNT/Sensus foi destaque em toda a imprensa (destaque mesmo, com pelo menos 18 artigos escritos por alguns articulistas que um amigo teve o trabalho de contar) pois mostrava que a ministra-candidata Dilma estava tecnicamente empatada com José Serra. Na verdade, Serra estava uns seis pontos acima, mas alguns nove-foras levaram a uma quase unanimidade de que aquilo era empate técnico. Bem, não sou estatístico…
Na semana posterior ao Carnaval, saiu a pesquisa CNC/IBOPE, mostrando que Serra estava ganhando em todos os cenários, inclusive, pasme-se, no Norte-Nordeste. Ninguém deu. Correção: o Estado de S. Paulo deu, depois de quase esconder o resultado na sua página da Internet. Alguma coisa aconteceu e depois publicou no jornal. Então, timidamente, seus concorrentes registraram. Timidamente, eu disse.
Que há? Não sei, mas algo há.